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Name:
Silvio Yamanaka
Location:
Brasília, Brazil

Taurino com ascendente em gêmeos. Essa ascendência potencializa atuação nas áreas de criação, publicidade e jornalismo, áreas que gosto muito, porém, infelizmente, não são áreas de meu ganha pão.
Sou nascido em São Paulo, mas vivendo em Brasília, terra abençoada.
Atualmente sou praticante de tênis, corrida e mountain bike. Meus hobbies são fotografia e vinhos

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04 Maio 2004

GMAil

Consegui! Consegui! Ser um beta tester do GMail. Polêmico, mas simpático.

posted by Yamanaka @ 22:05
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Brasil e o mundo podem prejudicar a sua saúde
por Arnaldo Jabor

Minha profissão é ver o mal do mundo. Um dia, a depressão bate


  • não agüento mais ver a cara do Bush ostentando rugas na testa de preocupação com o nosso destino (que ele azedou);

  • não agüento mais o Lula de boné dançando xaxado;

  • não agüento ver o Sarney feliz, mandando no país, guardando o PT no bolso do jaquetão, enquanto os petistas, comunistas, tucanistas e fascistas discutem para ver quem é mais de esquerda ou de direita, enquanto o país afunda em violência e miséria, com o Estado sendo loteado entre esquerdistas sem emprego;

  • não dá mais para ouvir que há transgênicos de esquerda ou de direita, principalmente quando ninguém consegue impedir
    as queimadas na Amazônia;

  • passo mal também quando vejo a cara dos oportunistas do MST, com a bênção da Pastoral da Terra, liderando pobres diabos para a revolução contra o capitalismo;

  • não agüento secretários de Segurança falando em forças-tarefa, em presídios perfeitos que não conseguem
    nem bloquear celulares;

  • não suporto ver que o Exército se recusa a ajudar na repressão ao crime, com generais tão eficazes para arrasar a guerrilha urbana nos anos 70;

  • não suporto a polêmica desenvolvimento x austeridade, planos B, C e D;

  • tenho horror do Fome Zero;

  • tenho enjôo com vagabundos inúteis falando em utopias, bispos dizendo bobagens sobre economia, acadêmicos rancorosos decepcionados com Lula;

  • não agüento mais ver a República tratada no passado, nostalgias de tortura, heranças malditas, ossadas do Araguaia e nenhuma idéia para nosso futuro;

  • não tolero mais a falta de imaginação política, a retórica da impossibilidade sem saídas pontuais e originais,
    e vejo que a única coisa que acontece é que não acontece nada e que os juros baixos não acontecem nunca e penso: "Ahh...
    se os homens de bem tivessem a imaginação dos canalhas!";

  • não aturo mais essa dúvida ridícula que assola a reflexão política: paciência x voluntarismo, processo x il;ão,
    continuidade x ruptura;

  • passo mal vendo político pedindo CPI para se lavar;

  • deprimo quando vejo a militância dos ignorantes, a burrice com fome de sentido, o vice Alencar no bordão da queda dos juros, e o Palocci dizendo que não dá pé;

  • tenho engulhos ao ver essa liberdade fetichizada que rola por aí, produto de mercado, ao ver êxtases volúveis de clubbers e punks de boutique, livres dentro de um chiqueirinho de irrelevâncias, buscando ideais como a bunda perfeita, bundas ambiciosas, querendo subir na vida, bundas com vida própria, mais importantes que suas donas;

  • odeio recordes sexuais, próteses de silicone, sucesso sem trabalho, a troca do mérito pela fama;

  • não suporto mais anúncio de cerveja fazendo competição entre louras burras e Zeca Pagodinho jogado numa cilada;

  • detesto bingo, pitbulls, balas perdidas, suspense sobre espetáculo de crescimento;

  • abomino a excessiva sexualização de tudo, com bombeiros sexy engatados em mulheres divididas entre a piranhagem e a peruíce, o sexo como competição de eficiência. Onde está a sutileza calma dos erotismos delicados? Onde, o refinamento poético do êxtase?

  • repugna-me ver sorrisos luminosos de celebridades bregas, passo-de-ganso de manequim, saber quem come quem na "Caras", mulher pensando feito homem, caçando namorados semanais, com essa liberdade vagabunda para nada;

  • horroriza-me sermos um bando de patetas de consumo, como crianças brincando num shopping, enquanto os homens-bomba explodem no Oriente e no Ocidente;

  • não agüento mais cadáveres na Faixa de Gaza e em Ramos, ônibus em fogo no Jacarezinho e trens sangrando em Madri, museu de Bilbao, museus evocando retorcidos bombardeios, sem arte alguma para botar dentro, a não ser sinistras instalações com sangue de porco ou latinhas de cocô do artista;

  • não agüento mais chuvas em São Paulo e desabamentos no Rio, gente afogada na Nove de Julho, enquanto a Igreja Universal constrói templos de mármore com dinheiro dos pobres e destrói a religião negra da Bahia, enquanto formigueiros de fiéis bárbaros no Islã rezam com os rabos para cima;

  • não agüento mais ver xiitas sangrando, dançando e batendo na cabeça no tão esperado século XXI, enquanto Bush reza na Casa Branca e o Dick Cheney, sujo de petróleo, fala em democracia no Iraque;

  • não agüento mais ver que a pior violência é o acostumamento com a violência, pois o mal se banaliza e o bem vira um luxo burguês;

  • não admito mais ouvir falar de globalização, enquanto meninos miseráveis fazem malabarismo com bolinhas de tênis nos sinais de trânsito do Rio;

  • não suporto o sorriso de Blair, a cara constrangida de Colin Powell, as pernas lindas de Condoleeza Rice, que me excita ao pensá-la em sinistras sacanagens na noite de Washington;

  • não agüento cariocas de porre falando de política, festas de celebridades com cascata de camarão, matéria paga com casais em bodas-de-prata, evangélicos intocados pela lei, novas forças-tarefa, Lula com outro boné, políticos se defendendo de roubalheira falando em honra ilibada, conselhos de notáveis para estudar problemas sem solução, anúncios de celular que faz de tudo, até boquete;

  • dá-me repulsa e lágrimas ver mulheres-bomba tirando foto com os filhinhos antes de explodir e subir aos céus dos imbecis;

  • odeio Sharon e Arafat, a cara de sábia estupidez dos aiatolás, o efeito estufa, o derretimento das calotas polares, casamento gay, pedofilia
    perdoada na Igreja, Chavez e seus referendos, Maluf negando, Pitta negando, o Sombra negando, enquanto juízes corruptos reclamam do controle do
    Judiciário, e o Papa rezando contra a violência sem querer morrer jamais;

  • não agüento mais Cúpulas do G7, lamentando a miséria para nada, e tenho medo que o Kerry, que tem uma cara duvidosa de ponto de interrogação, com aquele queixo de caju, perca a eleição, entregando o mundo à gangue do Mal.


Tenho medo de tudo, inclusive da minha antiga e endêmica depressão, essa minha vã esperança iluminista.
E tenho medo, acima de tudo, que as pessoas não agüentem mais a democracia e joguem o país de vez no buraco.

posted by Yamanaka @ 09:59
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