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"WAKON - YOOSAI "
- Espírito japonês + criatividade ocidental -
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| Em inícios de outubro, o Prefeito
da cidade de Hamamatsu - sr.Yasuyuki Kitawaki - promoveu duas
reuniões na HICE (Hamamatsu Foundation for International Communication
and Exchange), com os estrangeiros residentes no município,
para debater os assuntos de interesse e os problemas que os
mesmos enfrentam no dia-a-dia de suas vidas. |
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| O sr. Kitawaki explicou que
a cidade, com uma população de 580 mil habitantes, conta com
a presença de 16 mil estrangeiros, e, tendo como um dos objetivos
de sua gestão tornar a cidade a mais universal possível, tomara
a iniciativa de conversar com os estrangeiros que aqui vivem,
para sentir de perto as suas necessidades e anseios como cidadãos
que participam da sociedade. |
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| Em ambas reuniões participaram
mais de 60 estrangeiros de várias origens, e de fato houve um
diálogo extremamente interessante. Os estrangeiros levantaram
questões desde problemas de vínculos trabalhistas, seguros de
saúde, educação e até de cemitérios e outras dezenas, que mereceram
do Prefeito as devidas respostas e propostas de encaminhamento. |
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| Há uma impressão de que está
ocorrendo um novo ciclo de abertura do Japão ao exterior, como
aconteceu no passado, há 450 anos, quando em 10 de outubro de
1549 Francisco Xavier chegou em Kagoshima, fato que influenciou
muito a sociedade e a cultura japonesas de então. Na verdade,
o primeiro contato dos japoneses com os europeus aconteceu em
1543, quando os portugueses chegaram na Ilha de Tanegashima,
trazendo uma grande novidade que foi a espingarda, arma de fogo
que o Japão não conhecia. O outro evento que também causou grande
impacto foi a chegada de Matthew Perry ao Japão em 1853, que
provocou uma nova reabertura dos japoneses ao exterior, pois
ficara recluso durante 266 anos, determinado por Toyotomi Hideyoshi
a partir de 1587. |
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| As conseqüências dos dois fatos
mudaram a história do Japão, que permitiu a formulação de uma
nova era de desenvolvimento do país, quando da restauração Meiji
de 1868 a 1912, com a incorporação de ciência e tecnologia ocidentais
aliado ao espírito japonês, originando assim o termo "wakon-yoosai",
que se tornou na época "o ideal que servia de pilar para a cultura
japonesa" (Yoshiya Abe, Diretor do Instituto de Cultura Japonesa,
1996). O mais recente ciclo diz respeito a pós-segunda guerra
mundial, quando a derrota e a conseqüente presença americana
no país proporcionou condições para se seguir um novo período
de riqueza e bem estar para os japoneses. Percebe-se nitidamente
que os ciclos de desenvolvimento do Japão se deveram mais às
influências externas do que de iniciativas próprias. |
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Naquelas duas reuniões, observou-se
que os pleitos que os estrangeiros estavam formulando eram realmente
pertinentes, e com certeza refletiam as necessidades e os anseios
das várias coletividades estrangeiras, sem qualquer conotação
de interesses pessoais, políticos ou ideológicos. Mas, pelas
respostas do Prefeito e propostas de encaminhamento, percebe-se
nitidamente que o processo de discussão desses problemas simplesmente
se iniciou à luz dos métodos decisórios da sociedade japonesa.
Um grande passo foi dado, na aproximação dos estrangeiros com
a autoridade que representa a sociedade de Hamamatsu. Sem dúvida
alguma, a continuidade do processo precisa ser sustentada.
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| Nos dias atuais, percebe-se
em toda sociedade japonesa uma evidente preocupação e necessidade
de se internacionalizarem, e o gesto do Prefeito de Hamamatsu
está inserido neste contexto. E a palavra japonesa, objeto do
título deste artigo, pelo exemplo de sua história antes mencionada,
reflete idealmente, como um dos caminhos mais curtos, a possibilidade
do Japão em conseguir os seus objetivos, através da presença
e influência cada vez maior dos estrangeiros em suas terras.
Portanto, cabe também a estes mesmos compreenderem a cultura
dos japoneses, seus hábitos e costumes, arraigados ao longo
de sucessivos fechamentos de suas portas aos estrangeiros, e
próprios de povos que viveram sempre ilhados e pouco afeitos
às aventuras além-mar, e assim poderem propor idéias e soluções,
trocando experiências, para os problemas que os afligem nestas
terras. |
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| Muitos japoneses, que nestas
últimas décadas foram ao exterior, quer como turistas, quer
como empresários ou acompanhando as suas empresas em seus investimentos
fora do país, apesar de se tornarem internacionais, ao regressarem,
não conseguem influenciar os próprios patrícios, e ficam, em
geral, vivendo das boas lembranças acontecidas no estrangeiro
e cultivando apenas entre os seus pares as suas experiências
positivas. Existe, entretanto, um grande grupo de japoneses
composto de altos executivos, que não querem esquecer do Brasil
e constituíram uma associação denominada "São Paulo Kai " e
se reúnem periodicamente para se atualizarem de informações
sobre o Brasil. Muitos deles voltam às próprias expensas ao
Brasil, a cada dois anos, para não perderem o visto de entrada
no país. Preocupam-se e apoiam as iniciativas que venham de
encontro com o processo de integração entre brasileiros e japoneses.
E, como tais existem centenas de Associações que se preocupam
com o mesmo assunto e funcionam há muito tempo. |
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| As autoridades japonesas divulgam
que estão promovendo grandes esforços para que ocorram investimentos
externos no Japão. Entretanto, além das dificuldades legais
e restrições burocráticas, na prática a realidade é outra: cabe
até um artigo relativo ao assunto. Mas, como a realidade e a
prática são mães de toda sabedoria, o próprio governo japonês,
pressionado pelos fatos, está vendendo um banco privado recentemente
estatizado para grupos americanos; as composições acionárias
estão ocorrendo e atropelando os japoneses: vejam o caso da
Nissan x Renault, Mitsubishi Motors x Volvo, Massuda x Ford,
e muitos outros nas áreas de telecomunicações e sistema financeiro. |
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| Os leitores poderão imaginar
o susto se os japoneses souberem que o atual comandante geral
da fusão Nissan x Renault, sr. Carlos Ghosn, é um brasileiro?
Ele é um verdadeiro global player, tema que destacamos na coluna
Opinião deste jornal em 01.05.99. Será que o "wakon", espírito
japonês, da atualidade é muito diferente? Será que no "wakon-yoosai"
do Japão do próximo milênio os brasileiros ora residentes no
Japão e seus filhos poderiam ser parte do processo? |
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| PS: O recentíssimo caso de
julgamento favorável de Ana Bortz, brasileira discriminada em
Hamamatsu, deve ter despertado nos japoneses a sensação de que
eles não mais podem viver isolados e, para serem cosmopolitas,
precisam compreender os estrangeiros em seu próprio território
para serem compreendidos da mesma maneira no exterior. |
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texto original
de Isidoro Yamanaka
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