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A BEBIDA QUE VEIO DO ARROZ 

Saquê, o famoso vinho de ARROZ do Japão, data do século III. Na época era então chamado kuchikami, ou 'saquê de mastigar'. Num método não muito sanitário, o ARROZ era mastigado por mulheres virgens, segundo a lenda, e depois cuspido em tinas de madeira para fermentar. As enzimas da saliva convertiam o amido no açúcar necessário à fermentação. A bebida era tomada em copos comunais em festivais religiosos, solenidades oficiais e após colheitas. Também não faltava em casamentos, festas de Ano-Novo e despedidas.
Após o século VIII, começou a ser fermentado com o uso de esporos (koji) e leveduras em lugar da saliva, mudando muito em relação ao passado. Devido à escassez de ARROZ durante a Segunda Guerra, sua fórmula foi alterada, obrigando os fermentadores a adicionar álcool puro e glicose em pequenas quantidades à massa de ARROZ, o que aumentava o rendimento em até quatro vezes. Hoje, 95% do saquê, chamado nihonshu no Japão, utiliza essa técnica, embora os conhecedores afirmem que o melhor é ainda aquele feito só com ARROZ e água.
Da mesma maneira que não se pode elaborar um bom vinho sem boas uvas, com o saquê a qualidade do ARROZ e seu polimento são essenciais. Os melhores saquês, chamados junmai-shu, são artesanais, não fortificados e representam apenas 5% da produção. Para o preparo se utiliza o ARROZ shinpaku-mai, que, ao contrário do frágil ARROZ de mesa, possui grãos duros e núcleo com alto conteúdo de amido. Após a remoção de 55% da camada externa no polimento, para eliminar lipídios e proteínas indesejáveis, o ARROZ é lavado, colocado de molho, drenado, cozido no vapor e resfriado. Transportado para salas de paredes duplas, semelhantes a saunas, é inoculado com esporos de koji e delicadamente remexido a cada seis horas, durante dois dias. Finalmente, o ARROZ koji é combinado com leveduras, água e ARROZ cozido em grandes cubas de fermentação, onde ocorrem duas reações químicas simultâneas: enquanto o ARROZ koji converte o amido do ARROZ comum em açúcar, as leveduras transformam os açúcares em 20% de álcool.
Após o processo, que dura cerca de 30 dias, a massa é filtrada, pasteurizada e estocada em barricas por pelo menos um ano. Antes do engarrafamento, adiciona-se água pura de nascente para arredondar o gosto e reduzir o álcool para 15%. Existem, porém, outras qualidades intermediárias de saquê, fortificados ou não, cuja classificação depende também do tempo de polimento. Os mais comuns (futsu) têm menos de 30% da camada externa removida.
O saquê deve ser guardado em geladeira e consumido no máximo após um ano do engarrafamento, pois, além de ser sensível ao calor e à luz, não melhora com a idade. Pode ser servido quente ou gelado, sendo esta última a condição ideal para os melhores produtos. O mais indicado é o consumo de saquê em restaurantes japoneses. Além do preço, normalmente referência para a qualidade, a boa escolha depende da leitura do rótulo, praticamente impossível para ocidentais.

Assim, decore algumas palavras-chave para surpreender os atendentes, normalmente nativos, consultando-os para fugir das habituais decisões de 'nacional' ou 'importado': Futsu-shu - o mais simples. Fortificado e melhor servido quente. Também usado para cozinhar; Genshu - não diluído com água. Com 18% de álcool, é indicado para servir 'on the rocks'; Ginjo e Dai-Ginjo - termos significando 'superior'. Indicam alta qualidade para saquês de ARROZ puros ou fortificados; Honjozo-shu - fortificado como o Futsu, porém com mais corpo e sabor; Junmai-shu - o melhor de todos. Elaborado somente com ARROZ, ARROZ koji, leveduras e água. Deve ser servido gelado ou na temperatura ambiente; Kijo-shu - mistura rica e doce, normalmente servido como aperitivo; Namakaze - saquê não pasteurizado, engarrafado logo após a filtragem. Tem frescor, mas oxida rapidamente após a abertura; Nigori - saquê 'impuro', normalmente não filtrado, ligeiramente efervescente e doce, servido após as refeições. Independentemente do tipo escolhido, brinde dizendo 'kanpai' (saúde). 

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