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| A IDENTIDADE DOS
DESCENDENTES DE JAPONESES |
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| A grande maioria dos brasileiros
atualmente residente no Japão está repetindo, em certa dose, o
processo de adaptação que os nossos pais tiveram de sofrer como
imigrantes japoneses no Brasil - como educar seus filhos - em
escola brasileira ou japonesa. Guardadas suas proporções, seus
netos estão enfrentando o dilema do bilingualismo - português
x japonês: ao freqüentar a escola japonesa viram japoneses, esquecem
o português e perdem a identidade brasileira; voltando ao Brasil,
se quiserem continuar seus estudos, devem enfrentar um novo e
violento processo de adaptação. |
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| Durante o período da Segunda
Guerra Mundial, os brasileiros, filhos de imigrantes japoneses,
na idade de freqüentar a escola primária ou ginasial, devido à
proibição do funcionamento das escolas japonesas, não puderam
aprender o japonês. Havia até uma crendice na época de que aqueles
que aprendiam o japonês teriam dificuldades em poder falar com
eficiência o português. Mais tarde, pelo fato de terem perdido
a oportunidade de estudar japonês, muitos desses nisseis fizeram
esforços para que seus filhos freqüentassem as escolas japonesas.
Atualmente há um consenso geral de que, quando criança, o aprendizado
simultâneo de duas ou mais línguas não prejudica e nem afeta nenhuma
delas; até aumenta a capacidade de seu intelecto. |
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| Segundo especialistas em estudos
de língua e bilingualismo, as crianças estrangeiras que vivem
transitoriamente no Japão, como as brasileiras, precisam ter seus
currículos escolares brasileiros com métodos de ensino adequados
às condições em que vivem e viverão. Isto é, se a maioria dos
pais deseja voltar e viver definitivamente no Brasil, e quer que
seus filhos os acompanhem de volta, o método precisa ser brasileiro.
Isto acontece no Canadá, onde se procura preservar a identidade
do aluno, para formar um cidadão que possa se adaptar a dois ambientes
culturais diferentes. Vale a pena mencionar o depoimento de uma
estudiosa do bilingualismo, a professora Katsue Reeve, de origem
japonesa casada com um canadense. Sobre a educação de sua filha,
Katsue diz acreditar firmemente que a aquisição de habilidades
lingüísticas em inglês ou japonês, durante a infância, irá enriquecer
a vida de sua filha, "não apenas em termos de desenvolvimento
pessoal, mas também em termos de valores humanitários, econômicos
e políticos, numa sociedade cada vez mais global e interdependente,
onde se necessita compreensão e respeito pela diversidade entre
povos e culturas". |
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| A professora de lingüística
Ane Conduit da Universidade de Sophia, em seu livro Educating
Andy (1996), reproduz com bastante detalhe a vivência de seu filho
de 9 anos que, vindo da Austrália, freqüentou a escola primária
japonesa, e conclui resumindo: "o sistema de ensino elementar
japonês poderia ser melhorado não apenas preparando seus estudantes
para desempenhar um papel na sociedade japonesa, mas também numa
sociedade global maior". A autora sugere uma adequação do sistema
educacional japonês em função do que o meio demanda, e cita que
o governo do Japão reconhece a necessidade de uma internacionalização
e mudanças nas necessidades dos próprios estudantes japoneses. |
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| Os professores Kaori Okano e
Motonori Tsuchiya, em seu livro Education in Contemporary Japan
- Inequality and Diversity (1999) comentam que apesar do sistema
de ensino do pós-guerra ter sido alimentado de ingredientes valiosos
visando sucesso econômico e estabilidade social, os mesmos foram
acompanhados de componentes negativos como : exames de acesso
aos níveis mais elevados excessivamente competitivos; uniformidade,
que abafa o desenvolvimento da individualidade; perseguição (ijime)
e abandono escolar. O ensino pós-guerra tem mantido as orientações
monoculturais considerando que todos os estudantes provem de um
único grupo étnico (japonês), tornando as escolas oficiais orientadas
quase exclusivamente para as necessidades deles. Esta posição
não só desvalorizou os que os "outros" poderiam trazer para a
escola, mas também corroeu sua auto-estima; isto também pode ter
contribuído para que maioria das crianças desenvolvessem um ponto
de vista distorcido do mundo. A prática do ensino continua reproduzindo
as disparidades familiares, ao invés de eliminá-las. No livro,
há um capítulo que trata especialmente sobre o problema da discriminação
nas escolas sofrida por outras etnias, chamadas de burakumin,
okinawenses, coreanos e os newcomers, particularizando os brasileiros
como guest workers, e os problemas de educação dos filhos dos
mesmos. |
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| Não parece hora de nós, brasileiros,
questionarmos o sistema educacional japonês, inegavelmente um
dos fatores fundamentais que contribuiu para a formação do Japão
moderno do fim deste século? Os próprios japoneses estão procurando
modificar e reestruturar o seu sistema educacional, através de
estudos promovidos por várias comissões desde 1984, sob a liderança
do ex-primeiro - ministro, Yasuhiro Nakasone, considerado o chefe
do kyoku-zoku (congressistas da bancada de educação), na Dieta.
O cronograma das negociações e seus bastidores, até 1987, fartamente
documentados, são mencionados pelos professores Edward R. Beauchamp
e James M. Vardaman no livro Japanese Education Since 1945 (1945).
As recomendações destas comissões tem sido paulatinamente implementadas
a partir de meados de 1990, e novas propostas formuladas a partir
disso estão sendo discutidas e encaminhadas através de diversos
setores constituídos para essa finalidade. |
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| À luz dessas pequenas a amostras
de estudos, precisamos fazer uma profunda reflexão sobre a educação
dos filhos de brasileiros residentes no Japão. Da leitura e testemunho
de pais e mães revela-se de modo evidente que os mesmos instintivamente
percebem a extensão do problema, principalmente no que diz respeito
à definição e oposição da identidade que os seus filhos adotarão,
pois a deles, eles perceberam e sentiram na alma quando aqui chegaram
- de como são brasileiros. |
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| A partir desta semana, de 22
à 26 de junho, haverá um workshop sobre educação em Okinawa, patrocinado
pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), onde participa
como deputy representative da sucursal do Japão, o brasileiro
Silvio Yanagawa, além de estudiosos como o professor Reimei Yoshioka
da Universidade Tenri, o diretor de Estudos Avançados da Universidade
das Nações Unidas, Dr. Tarcísio Della Senta e, como conferencista,
o presidente do conselho do Colégio Pitágoras, professor Walfrido
Mares Guia; ex-vice governador do estado de Minas Gerais e atual
deputado federal. Também outras autoridades internacionais, estudiosos
do assunto, irão se dedicar aos temas, nos quais constam relevantes
assuntos sobre a educação, trazendo luzes para que todos os pais
do mundo possam se orientar para melhor educar seus filhos. |
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texto original
de Isidoro Yamanaka
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