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ESCOLA DE BRASILEIROS NO JAPÃO
Segundo dados oficiais do governo do Japão, 230 mil brasileiros estão residindo e trabalhando neste país. Todos distribuídos em quase todas as 47 províncias 
Os filhos que os acompanharam (aproximadamente 40 mil jovens em idade escolar básico de primeiro e segundo graus) praticamente estavam se tornando menos letrados que os próprios pais, daí acarretando problemas graves e muitas vezes irrecuperáveis em termos de ser humano.
Ao tomar conhecimento do fato, os diretores do Grupo Pitágoras, comandado pelo seu presidente Evando Neiva e vice-presidente Helio Gomes, visitaram o Japão em meados de novembro de 1998 : puderam conhecer a realidade de milhares de jovens brasileiros nas províncias de Aichi, Shizuoka e Gunma e sentir de perto o grande drama dos pais, sobretudo a necessidade e a vontade destes na solução dos problemas da educação de seus filhos. 
Em encontros com o Embaixador Fernando Guimarães Reis, perceberam que ele resolveu adotar a solução dos problemas de ensino e educação dos brasileiros como de absoluta prioridade. 

Aliás, em seus pronunciamentos sempre tem destacado o assunto e não tem medido esforços para a solução do problema, inclusive, em sua mensagem no dia do Brasil em 7 de setembro de 1998, mencionou explicitamente a dedicação e esforço que os japoneses pioneiros, que emigraram para o Brasil no início desse século fizeram para a educação de seus filhos, haja visto o considerável número de estudantes universitários nisseis a yonseis que ingressam na Universidade de São Paulo, que chega a 15% de seus alunos, e o seu corpo discente com 8% de professores de origem japonesa. Ele ofereceu todo o apoio da Embaixada para as reuniões com entidades oficiais e privadas relacionadas com o assunto no Japão. 

No Ministério da Educação do Japão, ficou-se sabendo que não havia restrições sobre a instalação de uma escola brasileira, desde que classificada com a escola americana ou de outras origens, já também lá em funcionamento. 
No Ministério do Interior, o apoio foi prometido desde que o Grupo Pitágoras fosse instalar escolas para o atendimento específico aos brasileiros e contasse com a iniciativa e suporte dos municípios e províncias. 
Pela demanda existente nesses municípios e províncias, através de suas comissões de educação, de apoio a estudantes estrangeiros, no ensino básico formal e obrigatório do sistema de educação do Japão (de 6 anos no primário e 3 anos no ginásio), professores brasileiros ou pessoas que dominam o português e o espanhol já são atualmente contratados para atendimento específico aos alunos brasileiros e latinos, devidamente matriculados nesse sistema formal: mesmo que haja apenas um aluno. 
Diante desse panorama, a direção do Grupo Pitágoras, instituição de renome nacional, com base operaciona1 em Belo Horizonte (Minas Gerais), que administra 32 unidades próprias em nove estados brasileiros e 110 escolas conveniadas, que atendem 80 mil alunos em todo o Brasil, motivada pelo problema da educação que os brasileiros estão enfrentando no Japão, resolveu estudar o assunto em profundidade para viabilizar a instalação de uma escola brasileira no Japão. 
Com apoio ostensivo da Embaixada Brasileira e da agência do Banco do Brasil em Tóquio, resolveram realizar algumas pesquisas de viabilidade conduzidas por uma empresa especializada, cujos resultados concluídos em 20 de dezembro, mostraram a vontade expressa dos brasileiros residentes no Japão em investir na educação de seus filhos. A mesma pesquisa mostrou também que poderá contar com a participação de profissionais devidamente qualificados com experiência em magistério, que já estão trabalhando no Japão em atividades braçais e repetitivas em linhas de montagens das indústrias. 
Esta mesma semana da conclusão das pesquisas, o conselho de administração do Grupo Pitágoras resolveu enfrentar a empreitada da implantação de escolas brasileira no Japão. É bem verdade que os problemas e desafios dessa natureza oferecem serão incomensuráveis, pois além de se tratar no Japão, cujos procedimentos decisórios são totalmente diferentes do Brasil, é correr contra o tempo; pretende-se, se possível, iniciar o ano letivo de 1999 a partir de abril próximo. Para tanto, é necessário contar com o apoio de todos os interessados: inclusive da própria imprensa local, para a divulgação da notícia e para esclarecer os propósitos em vista. A iniciativa certamente veio a tempo e a hora, diante do panorama de globalização da economia mundial. 
Com essa globalização as economias de todos os países se tornaram interdependentes, e sucessivas crises começaram a ocorrer nesses últimos anos, e as mais recentes, principalmente da Ásia, atingiram profundamente a economia do Japão, com repercussões imediatas no Brasil. E os trabalhadores brasileiros foram penalizados duplamente: de um lado, pelo desaquecimento da economia japonesa e conseqüente diminuição substancial de horas extras nas indústrias, e de outro, pela desvalorização cambial do Iene e valorização do Real, fazendo com que os resultados da remuneração obtida no exterior não tivessem alternativas atraentes de investimentos no Brasil. 
Neste últimos dias do ano de 1998, as perspectivas que se oferecem aos investimentos para o final desse século não são alvissareiras, tanto no Japão como no Brasil. Os japoneses, cautelosos, resolveram poupar. Os brasileiros residentes no Japão, diante das incertezas na economia de ambos países e dos problemas acima mencionados, decidiram também reter na origem os seus recursos: haja visto a diminuição substancial das remessas para o Brasi1 e aumento de seus depósitos em agências do Banco do Brasil e Banespa no Japão, e ainda em bancos regionais japoneses. 
Diante desse panorama desfavorável, o investimento na educação de seus filhos tornou-se uma opção altamente válida para os brasileiros ora residentes no Japão. E esses filhos, que já possuem uma bagagem cultural básica, e que de japonês apresentam somente suas feições orientais, tendo acesso a educação formal brasileira, no Japão, reconhecida pelo governo brasileiro, complementada pelo sistema de ensino básico japonês, poderão, com muita competência e propriedade, ter acesso ao ensino de segundo grau no Brasil e poder disputar em melhores condições os vestibulares de universidades públicas, quando de seu regresso ao país. 
Os jovens brasileiros certamente são muito mais ecléticos e internacionais do que os seus iguais japoneses, no que se refere ao uso e costumes de seus respectivos países, e particularmente pela convivência no Brasil - no cotidiano com pessoas originárias e descendentes de várias etnias.
Eles, tendo acesso à formação educacional como a acima mencionada, comporão com maior sucesso os Global Players do futuro, não desmerecendo os investimentos que os seus país farão agora. Da mesma maneira que os antigos imigrantes fizeram no passado, com imenso sacrifício, e cujos resultados são atestados pela presença cada vez maior de nomes de origem japonesa entre as atividades de maior destaque na sociedade brasileira. E que certamente farão parte das novas gerações que tornarão o Brasil o país do presente, pelo único caminho possível através da educação de seu povo. 

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