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A CRISE JAPONESA E OS DEKASSEGUIS
Depois da crise da bolsa de
valores de Hong Kong (outubro de 1997), ocorreram imediatos
desdobramentos em diferentes graus na economia da grande maioria
dos países, mais diretamente nos países asiáticos e seus reflexos
no Brasil. Autoridades e especialistas de todo o mundo, começaram
a emitir opiniões e explicações sobre as causas, conseqüências
e prognósticos para a solução dos problemas de cada país. O
Japão só conseguirá efetivamente encaminhar a solução de seu
problema econômico, com forte conotação cultural e política,
depois de uma longa discussão para obtenção do consenso. A mídia
no Brasil, divulgou fartamente a respeito do resgate de alguns
brasileiros trabalhadores temporários que teriam sido despedidos
de seus empregos no Japão, vinculando-os como decorrência da
crise econômica naquele país. E, que o sonho dos descendentes
de japoneses que vão à procura de emprego bem remunerado no
país de seus ascendestes teria acabado. Existe uma certa dose
de exagero nessas notícias. A realidade precisa ser reposta.
Segundo fontes oficiais do governo japonês, atualmente 230.000
brasileiros estão trabalhando no Japão. Eles estão substituindo
os próprios japoneses que não mais querem se empregar em trabalhos
braçais, pesados, sujos e de risco. Os descendentes de japoneses
de segunda a quarta geração que nasceram no Brasil e que são
brasileiros como todos, incorporaram naturalmente costumes,
valores, comportamentos e até atitudes que o meio condicionou
diferenciando-os de seus pais e avós, muito embora aparentem
as mesmas feições. Entretanto, ainda mantêm uma certa dose de
comportamento herdados de seus ancestrais, de obediência à hierarquia,
honestidade, dedicação aos estudos, ao trabalho, etc. que os
distinguem de outras etnias que também vão trabalhar no Japão.
São mais aceitos pelos próprios empregadores japoneses. Alguns
empresários empregadores japoneses chegam a afirmar que os brasileiros
descendentes de japoneses mantiveram valores que não mais existem
no próprio Japão. Costumes da era Meiji, atualmente tão valorizados
naquele país. Mas, os japoneses que são considerados os mais
racistas do mundo, pela natureza de seu comportamento e pensamento
tribal e ilhado, não admitem os brasileiros seus descendentes,
nascidos no Brasil, como seus semelhantes. E o pior, os discriminam
violentamente. Principalmente àqueles brasileiros que não conseguem
conversar em japonês. Imaginar que todos os brasileiros que
optaram em trabalhar temporariamente no Japão sejam bem sucedidos
é uma grande ilusão. Divulgaram que mais de 30 mil deles teriam
sido despedidos recentemente, o que é uma inverdade. Noticiaram
que dezenas de brasileiros estariam morando de baixo de uma
ponte no município de Hamamatsu na província de Shizuoka, onde
existe uma grande concentração deles. Haviam sim, cinco ou seis
rapazes, que aumentaram para 15 ou mais, diante da possibilidade
de regresso gratuito ao Brasil. Era só esperar o verão passar
que esses moradores desapareceriam. texto original de Isidoro
Yamanaka
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